sábado, 25 de fevereiro de 2012

Um café, por favor.

Casais sentados no banco se beijam, trocam juras de amor eterno.
Crianças de 10 anos querem ser mulheres, vestir roupa da moda, ter o cabelo perfeito e a maquiagem mais ousada.
Capitalismo.
“We buy things that we don’t need, with the Money we don’t have, to impress people we don’t like.”
O vendedor de algodão doce fala baixo, baixo... Não entendo o que diz, mas me parece simpático.
Escolheu as máscaras pra mim, como o acaso escolhe as coisas na nossa vida. Abrimos uma brecha e lá vem ele, todo senhor de si, bagunçando o caminho. Mas o vendedor era simples, sem confusões. Conversava com quem passava por ali.
Tinha olhos melancólicos, de uma poesia sofrida... Olhos de quem espera a morte para poder descansar.
O Sol projeta sombras no papel.
Sentadas, as pessoas esperam. Acomodam-se, se acostumam com o Sol, com o que incomoda. Enchem a boca pra falar do calor, da queimação, mas não se mexem.
São sombras de algo maior, pessoas sem vida ...
A criança ainda guarda seu instinto natural, de animal. Andando de quatro e rindo da sujeira em suas mãos.
A mãe fica brava e pede que ela se comporte
Como se o ser humano se portasse bem! Como se fosse melhor que um animal!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Beija flor

Beija flor no chão
Poesia que morre
Beija flor voando ao redor
Beijando bicos frios
O amor queima
A poesia ressurge

Ressurge nas dores
Nos dissabores
Nos sonhos
Nos amores tresloucados
E na indignação
Com o mundo

Falta poesia ou
Falta prosa?
Sentimento
Ou razão?
Quem sabe
Os dois ...

Fotos na parede

Smile Nation - Sorrisos falsos sorriem aos montes.
A criança corre nua, livre. Sem moral, religião ou normas de conduta.
Intelectuais de merda!
O ralo da pia tem cheiro de manga.
Cores invisíveis pintam minhas pupilas, fechadas.
Coletânea.Palavras.
Dadaísmo.
Explosão depontas.
Um rococó antiquado e moderno.
Muros complexos.

Retrovisor

Olhos no retrovisor me encaram e me devoram.
Não consigo fita-los, não sustento esse olhar que me domina e faz as borboletas do meu estômago pegarem fogo.
Decido encará-los, e me arrependo.
Meu olhar está vazio. Voltado pra dentro, pra minha dor.
Não envio a mensagem de reciprocidade. A dor e o amor gritante morrem, aqui dentro, nas barreiras da minha pele...
Deito-me querendo companhia.
Deito-me querendo amor... E você.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Vidas

Vou à lanchonete pra escrever sobre pessoas. Ando só e preciso criar “vidas alheias” observando cada um no seu cotidiano.
Sem saber que escrevo sobre elas, ficam curiosas, e me olham tentando imaginar que histórias pintam a folha.
O anel, no dedo da atendente, foi ganho ou comprado durante um impulso consumista? Se ele existe, o que ela deseja para o amanhã?
Rostos fechados, corpos engravatados, sapatos apertados.
A chave do carro se mexe incontrolavelmente na mão do “homem social”. Ele... Ele pensa em seu sofá, se imagina nu, tomando uma cerveja e assistindo futebol.
A chegada, inesperada, de uma amiga interrompe meus devaneios.
Retomo-os sentada na cadeira, esperando minha vez de subir ao palco.
Perco-me nele.
Da última vez ele estava ali, sentado, me assistindo e me fitando com seus olhos castanhos... O teatro ganha seu cheiro e a bolsa em meu colo se transforma no seu cabelo... Quanta ilusão...
Será que a mulher grávida, que vi na sacada de uma casa, contra a luz, está feliz? Que nome escolheu para o bebê? Será menino ou menina?
Tive apenas um vislumbre desse ser duplo, mas fechando os olhos posso vê-la acariciar a barriga, cantar canções de ninar e imaginar toda a vida do seu fruto.
Morte e nascimento se encontram na flor.
Morte da criança.
Nascimento do desejo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Dia de Sol

O dia está muito bonito pra se ficar em casa, ou pelos cantos trancada ... Vou roubar o calor do Sol e fazer as flores nascerem.
Distribuir sorrisos e gentilezas. A gente nunca sabe quando vai embora mesmo ...
Desço correndo as escadas, só pra aproveitar segundos a mais de calor.
Calor Humano é o que o dia pede (:

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

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Prega o liberalismo, o desapego, durante o dia e chora de carência de noite...
Usa ou é usado – resumo da vida e do amor na atualidade.
Não quero isso!
Vamos nos encontrar pra um café? Deita comigo na grama pra adormecermos olhando as estrelas?
Não, não fala nada. Só vem aqui e me faz carinho.
Posso dormir abraçada com você?
Não, não fala nada. Palavras são fúteis, são mentiras, corpos sem alma. Iludem e excluem os surdos e mudos.
Deixa-me passar a mão em seu cabelo?
Fingi que nada aconteceu e vamos criar um mundo nosso.
Chega de surpresa enquanto faço o jantar?
Vem discutir as hipocrisias do mundo comigo.
Encosta seu peito junto ao meu, assim respiramos na mesma batida...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Cruz de Sangue

É proibido sentir!
É proibido tocar!
É proibido amar!
A doutrina exige severidade. Matam-se pais, filhos, amigos... São só corpos podres que precisam ser abatidos antes de contaminar a população.
Perdida na multidão, eu te procuro, mas você se esconde na minha dor.
Escapulários falsos.
Sentados em tronos de ouro condenam os diferentes e manipulam a massa pregando o amor, a irmandade e a partilha.
Massa! Sinto-me suja pensando assim. Eles são como eu, apenas tapam os olhos e os ouvidos para outra “realidade”.
Existe realidade? Ou elas são pontos de vistas projetados no mundo?
“Eu costuma residir em mim”... Hoje busco apoio no externo. Não funciona.
Meu caos interior me chama e clama por mais horas não dormidas e pensamentos confusos...